Pr. Moisés Martins: Uma vida transformada

Ele nasceu em lar evangélico, mas com o tempo deixou-se seduzir pelos manjares do mundo. Tornou-se viciado em drogas e participou de gangues no Rio Grande do Sul.  Chegou a dormir nas ruas de Florianópolis até ser alcançado pelas mãos de Deus. Moisés Martins hoje é pastor da Igreja Evangélica Assembléia de Deus e coordena uma das maiores Casas de Apoio Social de Santa Catarina: o “Desafio Jovem O Bom Samaritano“, onde são atendidos 85 homens e 16 mulheres. Pr  Moisés Martins também é autor do livro: “Você tem uma herança, cuide!”, que fala sobre como o relacionamento entre pais e filhos pode evitar o envolvimento com drogas.


Pr. Moisés Martins e a esposa Michelle

Pr. Moisés Martins e a esposa Michelle

Moisés Martins nasceu em Sapucaia do Sul (RS). Foi concebido em um parto complicado, pelas mãos de uma parteira da cidade. “Às quatro horas da manhã, meu pai bateu na porta da casa de uma senhora que já estava de pé, pois havia sido avisada por Deus que naquela madrugada realizaria mais um trabalho de parto”, relembra o pastor.

Seu pai sempre acreditou que o bebê esperado era mulher. A convicção era tanta que, depois de um tempo, a esposa também passou a acreditar que estava grávida de uma menina. “No momento das dificuldades do parto, minha mãe pediu a Deus que deixasse o menino vir ao mundo. A partir de então, o parto transcorreu normalmente”, relata Moisés, que sempre foi uma criança aplicada na obra do Senhor.

Alegrava-se na escola dominical e gostava, em especial, das pregações de um pastor chamado Valdemar Ramon. “Era um homem que me alegrava com sua presença. Nem mesmo as crianças perdiam a concentração quando ele começava a ser usado por Deus na pregação”, conta.

Aos nove anos de idade, o pequeno servo de Deus passou a ter mais responsabilidades na família. Estudava durante a manhã e, à tarde, saia para vender rapadura e picolé nas ruas de Sapucaia do Sul. Quando lhe sobrava tempo, também ganhava uns trocados como engraxate. “Eu não tinha aquele caixote apropriado para o serviço. Usava meus próprios joelhos como apoio para os clientes colocarem os pés”.

 

Mudança de hábito

cigarro

Uma má amizade que levou aos vícios

Aos doze anos, o adolescente partiu com os pais para a cidade de Alvorada. Foi ali que teve seu primeiro contato com as drogas. “Conheci um cidadão chamado Dedé. O sujeito tinha seus 24 anos. Conversava e brincava com todos os adolescentes da rua. Quando conquistou minha amizade, me deu um cigarro para fumar, logo depois me induziu a usar maconha. Ainda em Alvorada, comecei a me envolver com gangues de bairro. Foi quando me aprofundei na droga. A Igreja passou a fazer parte de um passado distante”, disse o pastor.

 

“Dedé conquistou minha amizade, me deu um cigarro para fumar e logo depois me induziu a usar maconha”.

 

Quando completou 15 anos, seu pai faleceu e sua mãe mudou para a cidade de Novo Hamburgo. Ainda menor de idade, Moisés estava solto no mundo. O envolvimento com gangues tornou-lhe uma pessoa violenta. No princípio, as brigas eram com as mãos, mas depois os membros do grupo passaram a usar armas. “Depois de um confronto, uma gangue rival encomendou minha morte. Eu e um amigo chamado Nego estávamos em um baile quando um garoto de 15 anos chegou para dar fim a minha vida. Me encontrava do lado de dentro do clube. Nego, aguardava do lado de fora. O garoto, portando arma de fogo, perguntou por mim e Nego, já sabendo de sua intenção, tomou minhas dores e foi assassinado com um tiro nas costas. Os integrantes mais antigos da gangue não deixaram por menos e resolveram acabar com a vida  do assassino de Nego e as suspeitas da morte do garoto vieram sobre mim”, recorda o pastor.

Depois desses acontecimentos, o jovem experimentou morar com a mãe, em Novo Hamburgo. Até aceitou trabalhar em um curtume, mas a experiência não deu certo. “Acabei caindo no trecho e passei por várias cidades. A idéia era ir para Curitiba, mas ao pegar carona com um caminhoneiro fui orientado a ficar em Florianópolis. No bairro Kobrassol, passei a cuidar de carros, em frete a uma boate. Ali, cheguei a cheirar até cinco gramas de cocaína por noite. Naquela região conheci o lado podre da sociedade”.

No período em que cuidava dos carros, Moisés conseguiu outro emprego, em uma revendedora de discos. Lá, trabalhava também um presbítero da Igreja, chamado Edemar Jackson. O emprego não durou muito tempo, mas a amizade com o presbítero continua até hoje. “Com muita insistência da parte dele, cheguei a participar de um culto. Emocionei-me a ponto de chorar, mas não consegui reconciliar com Deus. Mesmo tendo nascido em lar cristão sabia que se morresse não alcançaria salvação, pois nunca havia confessado, de fato, Jesus como meu Salvador. Esses pensamentos vinham nos momentos de depressão, quando passava o efeito da droga. A pensão onde morava era um ambiente deprimente. Presenciei muitas situações que me fizeram refletir que eu precisava mudar de vida. Infelizmente, não estava conseguindo”.

 

Quebrantamento

Pr. Moises MartinsCerta noite, Moisés conversava com um amigo, chamado Davi, em frente à pensão onde moravam. Próximo àquela pensão havia uma Igreja Batista e um culto estava sendo realizado. Os dois titubearam, mas acabaram indo até a igreja. “O pregador falava sobre os elos que prendem o homem ao mundo. Os elos eram os amigos e as drogas. A palavra nos tocou, mas nossos corações permaneciam endurecidos”, narra o pastor.

Os dois amigos marcaram de ir a outro culto, dessa vez na Assembléia de Deus de São José (SC), município vizinho a Florianópolis. “Ao chegarmos ao local, um missionário estava se despedindo da igreja e fez uma pregação calorosa. A dupla Osvaldino e Roseli cantou um hino falando da vida na igrejinha. Relembrei meus tempos de infância. Tanto eu, quanto Davi, chegamos a chorar, mas ainda não foi o momento da reconciliação.”

Passou uma semana. “Estava no quarto da pensão lendo o Novo Testamento, na passagem que fala sobre os talentos. Davi estava em outro quarto assistindo filmes. Pedi a Deus que o tirasse da frente da televisão para que pudéssemos conversar sobre a Palavra. Três minutos depois ele bateu na porta de meu quarto. Depois de algum tempo de reflexão, a Glória de Deus invadiu aquele lugar. Entregamos nossas vidas ao Senhor ali mesmo, naquele quarto de pensão. No mesmo instante fizemos uma limpeza geral no ambiente, jogando fora todas as imundices que guardávamos nas gavetas”, testemunha o pastor Moisés.

No dia seguinte, após a conversão, Moisés saiu para trabalhar. Estava preocupado porque devia o aluguel da pensão e seria despejado a qualquer momento. Chegando ao estacionamento permaneceu um longo tempo parado, pois não havia movimento. De repente, um cidadão parou o carro e desceu. Entrou na danceteria e ao retornar entregou-lhe uma quantia em dinheiro. O valor era suficiente para pagar a pensão e ainda sanar outras dívidas.

Alunos do Bom Samaritano no Gideões 2011

Alunos do Bom Samaritano no Gideões 2011

Daí para frente, o jovem passou a ter várias outras experiências com Deus. Casou-se com a jovem Michelle Martins, tornou-se diácono da igreja e foi abençoado com bons empregos.

De repente, Deus coloca em seu coração o desejo de ministrar aulas de discipulado para os alunos do Desafio Jovem O Bom Samaritano. Após um ano e meio como discipulador, o jovem diácono acabou recebendo um convite especial feito pelo pastor Juvenil Pereira: deveria assumir a posição de coordenador geral da instituição. Uma tarefa desafiadora que ele tem desenvolvido com satisfação ao longo de treze anos.

Do casamento com Michelle, veio o filho Matheus. E o ex-viciado e membro de gangue hoje tornou-se pastor de um rebanho especial: jovens que, assim como ele, viveram a triste realidade do sub-mundo das drogas.

Pr. Moises Martins e familia

Pr. Moises Martins e família